Eu queria poder ser alguém maior. Maior de tamanho, de cabelo, de boca, de dentes...
Queria ter pernas mais longas e mãos um pouco mais curtas. Ah, como eu queria...
Bem que podia ser um modo de eu ser maior, porque me veria maior no espelho, me sentiria maior porque usaria calça jeans sem ter que dobrar algumas delas na borda.
Eu queria ser maior amanhã, só amanhã, porque poderia olhar pra ele, que é tão grande e dizer um "oi" das alturas.
Ah, como eu queria...
Mas, é aquilo que todo mundo já sabe, não vou ser maior amanhã, não vou falar "oi" nenhum das alturas e ele vai continuar me notando só por educação.
O ruim da vida é ter um "ele". Se o mundo fosse só de mulheres, aposto que seríamos todas gordas, felizes e risonhas. Ao menos até o dia que sentiríamos falta de algo diferente de nós.
Mas aí, como tá misturado, tem um "ele" e dana a vida a desandar.
Eu queria saber o porquê de me arrumar pensando nele.

O pior é que eu sei que não o verei mais, e isso me aperta o coração pelo simples fato de não saber o que eu vou ser sem essa maluquice completa que eu alimento de não tê-lo, sem saber se quero ter, querendo me convencer que é melhor não saber.
Seria tão mais prático se ele olhasse pra mim, dissesse "oi", inventasse um assunto... Assim eu responderia algumas perguntas pessoais que tenho, responderia se ele vale a pena tanta utopia, se vale ser platônico.
Joguei tarô umas 600 vezes pra saber se deveria me arriscar, mas nenhuma carta me trouxe uma resposta convincente. Claro, né?! Desde quando carta traz resposta convincente?
A vida traz resposta convincente, mas só dá pra saber se a gente viver. A merda toda é que me falta coragem e isso, não vem pelas cartas do tarô. Muito menos tarô virtual.
Ah, eu preciso de um milagre. Mesmo que o milagre seja ele diante de mim desfilando com uma aliança grossa e brilhante de noivado, só pra eu me convencer que não rola mesmo. Ainda assim é melhor que essa ilusão babaca que eu não tiro de mim.
Eu preciso de algo decisivo que me faça querer estar longe dele, não olhar pra ele, não querer olhar pra ele. Eu preciso tanto!
E amanhã? Ah, amanhã mais uma vez eu vou me arrumar pensando nele...
Mascarada
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Eu sei, o texto tá horrível, ficou com cara de diário de adolescente de 15 anos apaixonada pelo professor de física, mas foi o melhor que meu desabafo conseguiu. Prometo interromper a sessão pessoalidade e partir pros meus poemas, são muito mais gostosos de serem lidos.
Abraços
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