domingo, 30 de novembro de 2008

Colcha de Retalhos




Eu não consigo. Cada fagulha do que poderia ser uma idéia insiste em correr assustada de mim. Eu não posso. Não dá! Eu quero, ando tentando (odeio gerúndios). Perseverante sigo, mas caio. Não há letra que se encaixe em palavra e consiga encontrar algumas outras para formar uma frase, eu simplesmente não escrevo mais.
Só retalho!
Exatamente, só retalho.
Coisa solta, maluca, sem pé, cabeça, sem eira ou beira. É só retalho!
Se soubesse costurar faria uma colcha, juro!
Porque uma das poucas coisas sem combinação que vejo, conheço e admiro é a tal da colcha de retalhos.
Pessoas, desconhecidas ou não, juntam quadrados que só se combinam no tamanho. Cada um com a cor que der na telha do costureiro, com o tema que ele quiser e, aquilo tudo junto, vira um obra de arte.
Isso, uma obra de arte de verdade. Eu acho lindas as colchas de retalhos... já vi umas que contavam histórias. Os quadradinhos traziam vidas inteiras bordadas e por mais incrível e inacreditável que isso possa parecer, toda aquela mistura junta combina quando os quadrados são encaixados. E só serve se tiver tudo junto porque um quadrado só não esquenta ninguém, não dá nem pra secar as mãos.
Então precisa que tudo esteja junto, que as histórias, os temas, os desenhos, as cores, estejam juntas e se encontrem ao bel prazer da escolha de quem for unir as peças.
Se você está só e um outro solitário bordar um quadrado, pode ser que se unam através do acaso pelas mãos de uma bordadeira que se transforma em uma grande tecelã de destinos ao montar a colcha.
Será que alguém pode encontrar um grande amor através da união de quadrados da colcha de retalhos?
Bem, isso eu já não sei. Mas sei que os retalhos da colcha são a maior obra de arte oriunda da falta de combinação que eu já vi em toda minha vida. A mistura que dá certo. Sem tema combinado, armado, tramado, só vidas, mesmo que todas as vidas tenham de bordar sobre a mesma coisa. São só vidas, unidas pelos panos de uma colcha que vai servir de quentura pra outro alguém... Desconhecido, que não bordou, não uniu, mas pagou.
Pagou por histórias bordadas de vidas inteiras. Pagou e ainda teve desconto porque foi a vista. Afinal, se é a vida dos outros, pra muitos, vale o preço que se pode e quer pagar. Mas... e se a vida do pagante tivesse bordada? Quem sabe por quanto ele venderia? Quem sabe se venderia, ou se apenas doaria? Ou se limitar-se-ia apenas a escrever, sem muita prática, ou inspiração, como essa que hoje escreve, com mãos e mente vazias de idéias, mas sempre com um coração insistente em batidas que dispensam motivação.

Mascarada


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Imagem retirada de: http://paginas.terra.com.br/educacao/emac/educacaoartistca.htm

sábado, 15 de novembro de 2008

A chuva

Ela olhou a chuva pela janela e pensou que talvez todo o vazio que sentia pudesse sumir com as gotas e os trovões.
Viu que a força da água arrastava tudo que tentasse interromper seu caminho então vislumbrou a possibilidade de colocar seus problemas diante dela.
Chovia de dar medo, de não querer sair debaixo das cobertas.
Chovia de tremer o teto, chovia pra lavar a alma.
E se alguém no céu se sentia com a alma lavada devia ser muito egoísta pra não partilhar essa sensação com mais ninguém.
Lavar a alma é tudo que ela precisa. Então, disfarçando o medo de si mesma, jogou o cobertor e se pôs diante da janela, observando a tempestade.
Cada trovão, cada clarão era como se algo nela forçasse pra não ser mais escondido.
Com a chuva e todo aquele escândalo da natureza ela podia falar, ser livre ao menos uma vez.
A chuva era sua capa, seu escudo, sua maior proteção. Ninguém desafiaria aquela tormenta natural. Ela estava só e tinha o poder da própria libertação.
Todos se esquivavam do barulho e da força da chuva enquanto ela vivia o maior e único momento de coragem de toda sua vida.
Ela tinha a chuva como sua arma, nada seria mais forte que ela munida da chuva.
As grades de sua janela a intimidavam e por isso foi para o quintal, e junto com a água disse com todo seu potencial o nome mais importante de sua vida.
Ela podia falar, podia soltar o que sentia, podia contar pra quem quisesse ouvir e assim o fez. Mas ninguém ouviu, porque todos se escondiam da chuva. Ninguém reagiu, ninguém a pôs pra baixo, ninguém disse que era impossível, nada foi dito.
Então ela retornou ao seu recanto e dormiu o primeiro sono sem pesadelos.
Na manhã seguinte o céu já era azul, claro e limpo. Todos falavam da chuva quando ela apareceu. A reação foi unânime. Estava diferente, segura, leve... O que poderia ter acontecido? Agora, ela não dava satisfações. Não precisava de desculpas, tampouco de mentiras. Ela lavou a alma longe dos olhos que a impediam e diante deles ressurgia de uma vez por todas com a diferença que mudaria surpreendentemente o rumo de toda sua história.

Mascarada

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

html e eu, uma dupla sem união.



Escreve, apaga, escreve, apaga!
Tudo o que eu sei sobre html, acaba se resumindo em eu ter de apagar todas as "besteiras" que eu fiz com o código.
Pois é, quando iniciei no mundo dos blogs, há trezentos anos atrás, fazer código pro extinto weblogger era bem fácil.
Dava pra mexer, remexer, saracutear a vontade.
Daí eu sumi e os blogs invadiram o atual servidor mais bombado do momento.
E o código daqui é infinitamente complicado.
Eu sei que tem gente que anda fazendo "modelo" de blog a torto e a direito, mas pensei assim _ poxa, não deve ser tão difícil. Então fiz minha imagem, montei diretinho, ficou linda demais. Escolhi um fundo que combinou a beça. Fiz as caixinhas pro perfil e pros posts e fiz a oração pra conseguir encaixar todo meu trabalho no código.
Ai Senhor, que vontade de chorar!
A imagem e o fundo encaixaram feito luva.
Mas as caixinhas... ficaram todas tortas, não encaixaram, os posts sumiram, tudo ficou torto, desengoçado. Fiz uma figura pra colocar feito "site", com links pra outras páginas e tudo degringolou....
O código não encaixa de jeito nenhum.
Já rezei, já gritei, sacudi o pc, olhei uns outros códigos de blogs por aí pra ter modelo, procurei tutorial e nada.
Continuou tudo torto.
Eu hospedei as imagens tão direitinho, ficou tudo tão lindo, mas na hora de converter pra código html, só a glória do pai.
Como dizem por aí... Afezzzzzzzzzz!!!!!!!!!!!!
Sumiu o comentário, sumiu a figura, sumiu tudo e entortou também.
Agora eu continuo aqui, com esse "lay-nada-pessoal", imagens lindas, uma idéia linda e um código com tudo torto guardado.
Ninguém merece mesmo!

Mascarada!

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Se você puder ajudar, escreva para: garotamascarada@gmail.com

domingo, 2 de novembro de 2008



O desejo do momento é o de varrer corações.
Não precisa ser no plural.
Varrer um só coração já basta.
Mas não é aquela limpezinha diária, disfarçada, só pra não deixar a poeira acumular...
É faxina de verdade!
Com carinho, cuidado, atenção. Faxina detalhada, pra varrer seu coração.
Eu vou tirar inteiro, sem despedaçar, porque despadaçado o meu já está.
Vou varrer com cautela, e desinfetar,
Porque aí, então, seu coração, no meu, nunca mais, vai estar.

Mascarada!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Amanhã

Eu queria poder ser alguém maior. Maior de tamanho, de cabelo, de boca, de dentes...

Queria ter pernas mais longas e mãos um pouco mais curtas. Ah, como eu queria...


Bem que podia ser um modo de eu ser maior, porque me veria maior no espelho, me sentiria maior porque usaria calça jeans sem ter que dobrar algumas delas na borda.

Eu queria ser maior amanhã, só amanhã, porque poderia olhar pra ele, que é tão grande e dizer um "oi" das alturas.

Ah, como eu queria...

Mas, é aquilo que todo mundo já sabe, não vou ser maior amanhã, não vou falar "oi" nenhum das alturas e ele vai continuar me notando só por educação.

O ruim da vida é ter um "ele". Se o mundo fosse só de mulheres, aposto que seríamos todas gordas, felizes e risonhas. Ao menos até o dia que sentiríamos falta de algo diferente de nós.

Mas aí, como tá misturado, tem um "ele" e dana a vida a desandar.

Eu queria saber o porquê de me arrumar pensando nele.




O pior é que eu sei que não o verei mais, e isso me aperta o coração pelo simples fato de não saber o que eu vou ser sem essa maluquice completa que eu alimento de não tê-lo, sem saber se quero ter, querendo me convencer que é melhor não saber.

Seria tão mais prático se ele olhasse pra mim, dissesse "oi", inventasse um assunto... Assim eu responderia algumas perguntas pessoais que tenho, responderia se ele vale a pena tanta utopia, se vale ser platônico.

Joguei tarô umas 600 vezes pra saber se deveria me arriscar, mas nenhuma carta me trouxe uma resposta convincente. Claro, né?! Desde quando carta traz resposta convincente?

A vida traz resposta convincente, mas só dá pra saber se a gente viver. A merda toda é que me falta coragem e isso, não vem pelas cartas do tarô. Muito menos tarô virtual.

Ah, eu preciso de um milagre. Mesmo que o milagre seja ele diante de mim desfilando com uma aliança grossa e brilhante de noivado, só pra eu me convencer que não rola mesmo. Ainda assim é melhor que essa ilusão babaca que eu não tiro de mim.

Eu preciso de algo decisivo que me faça querer estar longe dele, não olhar pra ele, não querer olhar pra ele. Eu preciso tanto!

E amanhã? Ah, amanhã mais uma vez eu vou me arrumar pensando nele...


Mascarada


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Eu sei, o texto tá horrível, ficou com cara de diário de adolescente de 15 anos apaixonada pelo professor de física, mas foi o melhor que meu desabafo conseguiu. Prometo interromper a sessão pessoalidade e partir pros meus poemas, são muito mais gostosos de serem lidos.


Abraços

domingo, 26 de outubro de 2008

Hoje eu sou Clarice


Eu queria ser a Clarice Lispector. A reencarnação dela! E escrever daquele jeito sobre mim que ela escrevia sobre ela.
Pois é, porque hoje eu sou a Clarice. Sozinha, amarga, amante, ácida. Com um sofisticado sarcasmo, mas ácida.
Eu sou tão honesta comigo hoje que melhor seria se fosse outra, porque não sei se posso com minha verdade.
Sou tão eu mesma que quase consigo me transformar em linha, agulha e pano pra construir minha própria fantasia e virar a "mulher maravilha".
Eu sou tão medíocre que prefiro ser outra.
Tão decadente, tão mentirosa e invejosa.
Ah sim, porque eu descobri meu fascinante talento para a inveja. Posso olhar alguém e odiar em segundos só pelo fato de ser melhor que eu.
Por isso me tranco, porque hoje todo mundo é melhor que eu.
Então não me olhe, não se apresente a mim porque sou a pior das companhias.
Sou a margem da sociedade, aquela que tem fadiga e enfado por ter nascido.

Ah, que horror ter nascido.
Ando fazendo um esforço tremendo pra não ser bem quista, nem viver, porque viver dá um trabalho sufocante.
Minha preferência era por ser anjo.
Eu poderia ser anjo lá em cima e ficar dando aquele "help" pro povo aqui de baixo.
Mas nasci. Pois é, alguém me pariu e parece que também não gostou muito disso, porque o que eu já ouvi de reclamação, é incontável.
Então, hoje eu sou Clarice, com todas aquelas frase da Clarice, todo aquele jeito da Clarice e, principalmente aquele olhar, ah... A Clarice tinha aquele olhar, revestido de um impecável lápis preto, aquele olhar de superioridade, mas não sobre os outros, porque ela sabia que tava longe disso. Era um olhar que mostrava ser ela superior aos seus próprios defeitos, sua má sorte com o amor, sua má sorte em colocar o coração nas coisas. Aquele olhar era tão superior que chamava atenção, causava arrepio, causava admiração.
Por isso hoje eu sou Clarice, com aquele olhar.
Me revesti de Clarice pra poder falar, me xingar, me tolerar, me respeitar, assumir que sou um fracasso, um poço de preguiça e moleza. Assumir que estou morta em plena vida, enxergar que não sou nada.
Mas hoje, meu nada, eu batizei de Clarice.


Mascarada